Abril Marrom: especialistas dizem que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados

16/04/2026 – 18:27  

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Comissão de saúde reuniu especialistas sobre o assunto

Especialistas alertaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados com diagnóstico precoce. Eles apontaram como principais problemas a falta de acesso na atenção básica e o subfinanciamento do Sistema Único de saúde (SUS).
O debate foi realizado pela Comissão de saúde, nesta quinta-feira (16), para marcar a campanha Abril Marrom, voltada à prevenção da cegueira e à reabilitação visual.
Segundo os participantes da audiência pública, doenças como glaucoma e retinopatia diabética estão entre as principais causas de perda de visão evitável no Brasil.
A deputada Carla Dickson (UNIÃO-RN), autora do pedido do debate, criticou o subfinanciamento do setor. Segundo ela, a tabela do SUS paga valores baixos pelas consultas, o que reduz a oferta de profissionais e aumenta a fila de espera.
“A oftalmologia precisa estar na atenção básica. Não Podemos aceitar que o cidadão espere anos por uma consulta que PODE salvar sua visão”, afirmou.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Roberto Murad Vessani: o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo

O presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Murad Vessani, alertou que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.
Segundo ele, a doença atinge cerca de 3,5% das pessoas com mais de 40 anos, e 90% dos casos não são diagnosticados, porque os sintomas aparecem apenas em estágios avançados.
Já a representante da Associação de Diabetes Brasil, Lúcia Xavier, afirmou que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em idade produtiva. Ela destacou que 56% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Maria Auxiliadora Frazão: prevenir a cegueira custa menos do que lidar com seus impactos econômicos e sociais

Novas tecnologiasA presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Maria Auxiliadora Frazão, defendeu melhor organização da REDE de atendimento para garantir acesso mais rápido e remuneração adequada aos profissionais. Segundo ela, prevenir a cegueira custa menos do que lidar com seus impactos econômicos e sociais.
Representantes da sociedade civil também apontaram demora para incorporar novas tecnologias no SUS. A presidente da Retina Brasil, Ângela Souza, afirmou que medicamentos e implantes já recomendados levam anos para chegar aos pacientes.
Ações do governoA coordenadora de projetos do Ministério da saúde, Gabriela Hidalgo, citou avanços como os Orçamentos de Cuidados Integrados (OCIs). Segundo ela, o modelo permite financiamento maior — entre R$ 200 e R$ 400 por atendimento completo — para agilizar diagnósticos e cirurgias de catarata.
Gabriela Hidalgo também afirmou que o ministério pretende atualizar os protocolos clínicos para tratamento do glaucoma ainda em 2026.

Da Redação – GM

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