Semsa inicia segunda turma do Curso Básico de hanseníase para capacitar profissionais de Manaus

Prefeitura de Manaus e Semsa iniciam formação para qualificar diagnóstico e tratamento da hanseníase junto a profissionais dos Disas.

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), iniciou nesta segunda-feira, 23/3, a segunda turma do Curso Básico de hanseníase – 2026 no Complexo de saúde Oeste, bairro da Paz (zona Oeste), com a participação de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas dos Distritos de saúde (Disas) Norte, Oeste, Sul, Leste e rural. O objetivo é qualificar as ações de diagnóstico e tratamento da doença e fortalecer a capacidade resolutiva da Atenção Primária à saúde (APS).

Objetivo e público-alvo

De acordo com a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, a intenção é capacitar 80 profissionais, em especial os que atuam nas Unidades Básicas de saúde (UBSs). Segundo ela, a formação busca contribuir para o diagnóstico precoce, a redução de incapacidades e a interrupção da cadeia de transmissão. Os dados mais recentes da Semsa apontam que este ano a capital registrou 20 casos novos da doença.

Conteúdo e dinâmica do curso

No primeiro dia, o programa abordou panorama epidemiológico da hanseníase; conceito, histórico, transmissão e fisiopatologia; classificação clínica e operacional; diagnóstico e diagnóstico diferencial; tratamento e reações adversas; sistemas de informação e apresentação de impressos; investigação de contatos (teste rápido e BCG); além dos fluxos e rotinas do Programa de Controle da Hanseníase.

A médica dermatologista Rosa Batista Correa atuou como palestrante. Ela ressaltou que a qualificação de médicos e enfermeiros é importante devido à evolução lenta da doença, com manifestação de sintomas em média de dois a sete anos desde a infecção. “Isso aumenta o risco de que o diagnóstico ocorra com o quadro clínico muito avançado, o que significa que a pessoa já apresenta sequelas ou que vai apresentar, com deformidades que vão permanecer para o resto da vida. E não é isso que queremos, o nosso objetivo é quebrar a cadeia de transmissão e evitar que o paciente fique com deformidades”, afirmou Rosa Batista.

Sintomas, transmissão e exames

A hanseníase é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. A transmissão ocorre de uma pessoa infectada pelo bacilo (sem tratamento) para uma pessoa sadia, por meio de gotículas de saliva eliminadas na fala, tosse ou espirro. As chances de transmissão são maiores quando o contato com a pessoa doente é próximo e prolongado.

Os sintomas incluem manchas na pele e sequelas neurais, como perda da força muscular nas mãos e dos pés; sensações de formigamento, choque, ardência e câimbras; perda dos pelos das sobrancelhas e dos cílios; e manchas que podem ser avermelhadas, brancas ou marrons, sem sensibilidade ao frio, calor e dor, e manchas sem presença de pelos e suor.

Relatos de participantes e aplicação prática

A enfermeira Ana Cristina Malveira afirmou que o curso busca resgatar o conhecimento dos profissionais e atualizar protocolos e fluxogramas de atendimento. “Além disso, o treinamento tem como foco o diagnóstico diferencial da hanseníase, já que os sintomas podem se manifestar de forma semelhante aos sintomas de outros agravos. Então, é importante que os profissionais consigam diferenciar e suspeitar da doença, definindo o diagnóstico, iniciando o tratamento, com a cura do paciente, e interrompendo a cadeia de transmissão”, disse Cristina Malveira.

A médica Thais Vieira Watanabe, que atua na UBS Amazonino Mendes, conjunto Viver Melhor 3, bairro Lago Azul (zona Norte), participa do curso e destacou a importância da atualização. “É sempre importante relembrar os principais sinais e sintomas da hanseníase, e sobre o exame físico para o diagnóstico. Já identifiquei casos suspeitos na UBS, com testes de sensibilização alterados. Não houve a confirmação de hanseníase, mas a gente tem sempre que ficar atento para investigar e identificar pessoas com a doença”, afirmou Thais Watanabe.

Encerramento e próximos temas

O curso será encerrado na terça-feira, 24/3, das 8h às 12h e das 13h30 às 16h30, com abordagem sobre diagnóstico e tratamento das reações hansênicas; efeitos adversos do tratamento; discussão de casos clínicos; exame físico na hanseníase; testes de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil); e avaliação da função neural, grau de incapacidade e escore OMP (face, mãos e pés).

Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa

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