Metroviários denunciam demissões e sucateamento durante processo de privatização do metrô pelo governo

Audiência na Câmara reúne relatos de demissões, precarização e cobrança para retirar CBTU e Trensurb do PND.

Metroviários de vários estados denunciaram demissões, precarização do trabalho e sucateamento dos serviços durante audiência da Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados nesta semana, conforme registro em 18/06/2026 – 18:33. Em depoimentos, representantes sindicais também criticaram o governo Lula por não retirar a CBTU e a Trensurb do Programa Nacional de Desestatização (PND).

Relatos do Recife e pedido de atenção à segurança

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Metroviárias de Pernambuco, Luiz Soares, descreveu reflexos do processo de transferência do controle do Metrô de Recife da CBTU para a iniciativa privada, previsto para ser concluído no próximo ano. Segundo ele, ‘o sistema colapsou: tem descarrilamento, rede aérea caindo, mortes acontecendo, trem pegando fogo’. Luiz Soares relatou ainda ‘dois descarrilamentos em menos de cinco dias’ e ‘uma morte de um companheiro sendo eletrocutado pela falta de compromisso com o Metrô do Recife, com sucateamento generalizado’.

Efeitos em outras regiões e pedidos de reassentamento

Em Minas Gerais, a transição do Metrô de Belo Horizonte para a iniciativa privada em 2022 trouxe, segundo Alda dos Santos, presidente do Sindmetrô mineiro, ‘mais de mil demissões dentro da Metrô BH, que eram empregados concursados da CBTU‘, com dificuldades de realocação no mercado. Alda pediu a aprovação do projeto de lei PL 1189/23, que trata da relocação de concursados demitidos durante processos de privatização.

No Rio Grande do Sul, o diretor do Sindmetrô, Ronas Filho, criticou o uso de recursos públicos nas concessões e afirmou que o governo tem privilegiado repasses do BNDES à iniciativa privada. Ele defendeu investimentos públicos em infraestrutura, a realização de concursos, compra de novos trens e projetos de expansão, e citou a proposta de tarifa zero como referência de política pública.

Limitações do governo federal e atribuição aos estados

A coordenadora de projetos especiais e parcerias do Ministério das Cidades, Fernanda Barbosa, mencionou limites constitucionais na atuação do governo federal. ‘O transporte metropolitano urbano é, pela Constituição Federal, atribuído aos estados e é, pela própria Política Nacional de Mobilidade, também designado aos estados’, explicou. Ela afirmou que o ministério atua principalmente quanto às diretrizes de baixa tarifa e qualidade dos serviços, previstas na Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Agenda política e propostas em discussão

A organizadora da audiência, a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), defendeu uma mobilização nacional em torno do metrô público com tarifa zero, articulada com pressão da sociedade civil para aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, já votada na Câmara e em análise no Senado. ‘Uma das únicas conquistas das mobilizações de 2013 foi colocar na Constituição o transporte como um direito social (Emenda 90)’, afirmou Melchionna.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) defendeu a proposta PEC 25/23, que transforma o transporte público em sistema universal e gratuito, e que enfrenta resistências na Comissão de Constituição e Justiça. Os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Pompeo de Mattos (PDT-RS) também discursaram contrários à privatização dos serviços públicos de transporte.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

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Publicado em: 18/06/2026 às 17:33
Categoria(s): Política Nacional