Semsa de Manaus amplia orientações a famílias e equipes de saúde sobre hidratação e cuidados com crianças no período de calor e estiagem.
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está reforçando orientações para prevenir agravos à saúde de crianças durante o período de calor e estiagem causado pelo verão amazônico. As recomendações são repassadas nas consultas, visitas domiciliares, vacinação, atividades coletivas e demais ações junto à população, segundo a Semsa.
Ações nas unidades de saúde
Conforme memorando circular distribuído às equipes, as unidades da rede municipal devem intensificar a promoção da saúde e a prevenção de agravos voltadas às famílias. Janaína de Sá Terra, chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, afirma que as equipes aproveitarão consultas de puericultura, atendimentos de demanda espontânea, vacinação, acompanhamento de condições crônicas, visitas domiciliares e atividades educativas para orientar a população.
Orientações sobre alimentação e aleitamento
A Semsa recomenda oferta frequente de água potável a crianças maiores de seis meses, estimulando ingestão ao longo do dia, mesmo na ausência de sede. Para crianças menores de seis meses, a orientação é a manutenção do aleitamento materno exclusivo, sem oferecimento de água, chás, sucos ou outros líquidos, uma vez que o leite materno supre a necessidade de hidratação, mesmo em calor extremo.
As famílias devem estimular, após os seis meses, o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, incluindo frutas com alto teor de água como melancia, melão, laranja e abacaxi, além de verduras e legumes, respeitando as possibilidades de cada casa.
Riscos, sinais e cuidados imediatos
Janaína Terra alerta para o risco de deixar crianças no interior de veículos, mesmo por curtos períodos, já que a temperatura interna pode aumentar rapidamente, ocasionando hipertermia cujo corpo pode ultrapassar 40ºC, além de elevar o risco de desidratação e óbito.
Os sinais de desidratação variam conforme a intensidade do quadro. Entre os sinais de alerta estão redução na quantidade de urina, boca seca, pouca ou nenhuma lágrima ao chorar, olhos fundos, sonolência, irritabilidade excessiva, prostração, pulso fraco e respiração acelerada. Caso os sintomas persistam ou haja piora do estado geral, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
Qualidade do ar e queimadas
Nos dias com intensa fumaça proveniente de queimadas ou piora da qualidade do ar, a recomendação é evitar atividades físicas e permanência prolongada ao ar livre, conforme Janaína. A estiagem e as queimadas aumentam o risco de agravamento de doenças respiratórias, como asma, e favorecem sintomas como tosse, chiado no peito e falta de ar.
Estratégias para familiares e cuidadores
A médica Natália de Melo Sampaio, servidora da Semsa, orienta que os cuidadores adotem medidas para reduzir o impacto do calor extremo: atenção à ingestão de água, escolha de roupas leves e claras, e cuidado com a ventilação dos ambientes onde a criança circula. O uso de ar-condicionado e ventiladores pode ajudar, mas é necessário manter a limpeza desses equipamentos para evitar problemas respiratórios ou alergias.
Natália destaca ainda que a hidratação adequada é importante para a recuperação de doenças e para o desenvolvimento cognitivo, e que a adoção do hábito de beber água deve ocorrer no conjunto da família para que a criança consuma quantidade suficiente ao longo do dia.
A orientação inclui evitar refrigerantes, sucos artificiais, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, priorizando água potável; evitar exposição direta ao sol entre 9h e 16h; e optar por roupas de tecido leve e fresco, não muito pesadas, como jeans.
Vulnerabilidades e grupos de risco
A pediatra Lucíola Peixoto explica que o organismo das crianças regula a temperatura de forma diferente do adulto e perde água mais facilmente, o que aumenta a vulnerabilidade a elevações da temperatura corporal. Crianças menores de cinco anos, prematuros, crianças com deficiência e aquelas com doenças crônicas, incluindo asma e outras condições respiratórias, estão entre os grupos mais sujeitos a agravos e devem aumentar a ingestão de líquidos ao longo do dia, mesmo sem sensação de sede.
Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Foto – Divulgação/Semsa
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Publicado em: 10/08/2026 às 14:42

