Rio Preto da Eva, no Amazonas, reúne rios, áreas de floresta, balneários, propriedades rurais e tradições gastronômicas a cerca de 80 quilômetros de Manaus. A proximidade com a capital transformou o município em um destino de turismo de natureza e de lazer de curta distância, sem apagar a história de uma comunidade formada a partir da expansão da estrada e da agricultura.
O município está ligado à AM-010, rodovia que conecta Manaus a Itacoatiara. Segundo a Amazonastur, Rio Preto da Eva fica a aproximadamente 80 quilômetros da capital e se destaca pela observação da natureza, pelas comunidades ribeirinhas, pelas culturas tradicionais e pela tranquilidade associada à paisagem amazônica.
Uma cidade formada às margens de rios e estradas
A história de Rio Preto da Eva começou a ganhar novo contorno em meados da década de 1960, quando o Governo do Amazonas iniciou trabalhos de topografia e abertura da estrada de rodagem entre Manaus e Itacoatiara. Até então, o deslocamento entre as localidades dependia principalmente dos rios.
A construção da rodovia atraiu famílias interessadas em ocupar terras próximas ao novo caminho. Parte desses moradores veio de comunidades ribeirinhas, como Rubim e Tiririca, enquanto outros se deslocaram de Manaus em busca de oportunidades ligadas à agricultura. A ocupação cresceu em torno de uma colônia que mais tarde seria conhecida como Colônia Agrícola do Rio Preto.
O avanço das obras também enfrentou obstáculos naturais. Em 1962, a abertura da estrada chegou a um rio de águas escuras que interrompia a continuidade do trajeto. Para permitir a travessia de pessoas, máquinas, alimentos e materiais, uma balsa de ferro foi levada de Manaus pelos rios Amazonas, Paraná da Eva e Rio Grande.
Com o aumento do tráfego, foi construída inicialmente uma ponte de madeira. Depois, entre 1968 e 1969, uma ponte de concreto substituiu a estrutura anterior e alterou a dinâmica de circulação na região. Esses episódios ajudaram a consolidar a ligação terrestre entre a colônia e os centros urbanos próximos.
Da colônia agrícola ao município
O processo de formação política da localidade ocorreu em etapas. Em 12 de abril de 1961, a colônia foi elevada à categoria de município com o nome de Eva. A experiência, porém, foi encerrada em 4 de junho de 1964, quando o município foi extinto e a área voltou a funcionar como colônia.
Durante esse período, a agricultura de subsistência sustentava as famílias. Entre os produtos cultivados estavam mandioca, feijão, arroz, milho, abacaxi, cupuaçu e cana-de-açúcar. Com o crescimento da produção, a Secretaria de Estado de Produção Rural passou a apoiar a organização dos colonos e o transporte dos produtos para Manaus.
De acordo com o registro histórico publicado pela Prefeitura de Rio Preto da Eva, a produção era levada semanalmente à capital para comercialização na Feira do Produtor. A farinha de mandioca ganhou destaque nesse período e permaneceu associada à identidade econômica e cultural da região.
Em 10 de dezembro de 1981, Rio Preto da Eva foi novamente elevada à categoria de município, desta vez com o nome atual. A denominação faz referência ao rio de águas escuras que banha a área e ao Paraná da Eva, curso d’água ligado à história da ocupação local.
O Rio Preto da Eva e a paisagem amazônica
O rio que dá nome ao município é um dos elementos centrais da paisagem e da memória local. Suas águas, associadas à coloração escura típica de rios de áreas florestais, estão presentes na formação do território e nas atividades de lazer desenvolvidas pela população.
Em determinados períodos do ano, trechos do rio podem formar praias de areia branca. O cenário atrai moradores de Manaus e visitantes interessados em banho de rio, descanso e contato com a natureza. A experiência, no entanto, depende das condições sazonais, do nível das águas e das regras de funcionamento de cada local.
Além do rio principal, a região possui igarapés, áreas de floresta e propriedades rurais que ajudam a compor o roteiro turístico. O município também abriga unidades e áreas de interesse ambiental, entre elas a Floresta Estadual do Rio Urubu, criada e delimitada por decreto estadual de 2003.
A presença dessas áreas reforça a importância de conciliar visitação, atividades econômicas e conservação ambiental. Em destinos amazônicos, o contato com a floresta ocorre em ambientes que podem ser sensíveis à circulação intensa, ao descarte de resíduos e à retirada de plantas, animais ou outros elementos naturais.
Turismo rural e produção agrícola
Rio Preto da Eva não depende apenas dos rios para receber visitantes. A agricultura familiar e as propriedades rurais também participam da formação da oferta turística. O município aparece em materiais do Ministério do Turismo como uma rota de turismo rural próxima de Manaus, com atividades relacionadas à produção de frutas, flores, piscicultura, artesanato e alimentação regional.
Esse tipo de visita aproxima o visitante do cotidiano de agricultores e produtores locais. Em algumas propriedades, as experiências podem incluir observação de cultivos, pesca em tanques, colheita de frutas, refeições preparadas com ingredientes amazônicos e apresentação de produtos artesanais. A oferta, porém, pode variar conforme a propriedade, a época do ano e a necessidade de agendamento.
O turismo rural também ajuda a conectar a paisagem natural à economia do município. Em vez de tratar a floresta e os rios apenas como cenários, esse modelo valoriza atividades produtivas, conhecimentos comunitários e formas de ocupação que fazem parte da história regional.
O café regional como patrimônio da experiência local
A gastronomia é outro elemento associado a Rio Preto da Eva. A cidade é conhecida pelo café regional, servido com preparações que fazem parte dos hábitos alimentares do Amazonas. Entre os exemplos citados em publicações do Ministério do Turismo estão tapioca, banana pacovã, pamonha, cuscuz, pé de moleque, sanduíche de tucumã e sucos de frutas amazônicas.
O café regional funciona como uma porta de entrada para conhecer ingredientes e costumes do estado. Cupuaçu, taperebá, graviola, tucumã, mandioca e castanhas aparecem em receitas que combinam influências indígenas, ribeirinhas e rurais.
A culinária também se relaciona com a produção local. Frutas, farinha, peixes e outros produtos podem chegar à mesa por meio de cadeias curtas de comercialização, fortalecendo pequenos produtores e estabelecimentos familiares. Essa conexão entre alimentação, território e trabalho rural contribui para diferenciar o município de outros destinos próximos da capital.
Comunidades e culturas tradicionais
O entorno de Rio Preto da Eva reúne comunidades que preservam práticas culturais próprias. Materiais de turismo do governo federal destacam a presença da Comunidade Indígena Beija-Flor, associada à participação de diferentes etnias, ao artesanato e a apresentações culturais.
Visitas a comunidades indígenas e tradicionais exigem respeito às regras definidas pelos próprios moradores. O acesso pode depender de autorização, acompanhamento de guias ou contratação de serviços organizados localmente. Também é importante evitar fotografias, gravações ou circulação em áreas privadas sem consentimento.
Quando conduzido de forma responsável, o turismo pode contribuir para a valorização cultural e para a geração de renda. A atividade, porém, não deve transformar rituais, modos de vida ou territórios em atrações sem considerar a autonomia das comunidades envolvidas.
Um destino de proximidade no Amazonas
O planejamento turístico estadual mais recente classifica Rio Preto da Eva como um município com oferta turística complementar e aponta potencial nos segmentos de turismo gastronômico, rural, de pesca esportiva e de natureza. A avaliação coloca a cidade no conjunto de destinos do entorno de Manaus que podem receber visitantes em viagens curtas.
O perfil de proximidade é uma das principais características do município. O acesso pela AM-010 permite sair da capital e, em poucas horas, encontrar uma paisagem marcada por rios, floresta, áreas produtivas e comunidades. A distância relativamente curta favorece passeios de um dia, fins de semana e roteiros combinados com outras localidades da região.
Ao mesmo tempo, a experiência depende da estrutura de cada atrativo. Balneários, propriedades rurais, áreas de preservação e comunidades podem ter horários, regras, valores e condições de acesso diferentes. Por isso, a confirmação prévia das informações com os responsáveis é recomendável antes do deslocamento.
Natureza ligada à história
Em Rio Preto da Eva, a natureza não aparece separada da formação do município. Os rios orientaram os deslocamentos antes da abertura da estrada, a floresta marcou a ocupação do território e a agricultura ajudou a sustentar as primeiras famílias. Mais tarde, esses mesmos elementos passaram a integrar roteiros de lazer, turismo rural e gastronomia.
O município preserva, assim, uma combinação de paisagens e práticas que ajuda a explicar a vida no entorno de Manaus. O Rio Preto da Eva, a produção agrícola, os cafés regionais, as comunidades e as áreas de floresta fazem parte de uma mesma história: a de uma cidade que cresceu entre a expansão das estradas e a permanência dos rios amazônicos.
Com população de 24.936 pessoas no Censo 2022, segundo o IBGE, Rio Preto da Eva continua a desempenhar papel relevante na conexão entre a capital e o interior do Amazonas. Sua natureza próxima, combinada à produção rural e à cultura regional, explica por que o município se mantém como uma das opções de passeio para quem busca conhecer a Amazônia sem se afastar de Manaus.