terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Crianças precisam de cuidados especiais durante o calor do Amazonas

Crianças são mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso. No Amazonas, pais e responsáveis devem reforçar a hidratação, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes e observar sinais como boca seca, pouca urina, sonolência e irritabilidade.

As altas temperaturas exigem atenção redobrada de pais, responsáveis e cuidadores de crianças no Amazonas. O calor intenso pode aumentar o risco de desidratação, exaustão, insolação, queimaduras solares e agravamento de problemas respiratórios, especialmente entre bebês, crianças menores de cinco anos e pessoas com doenças crônicas.

Como o organismo infantil ainda está em desenvolvimento, as crianças podem ter mais dificuldade para perceber a sede, comunicar o mal-estar e regular a temperatura corporal. Por isso, os cuidados precisam fazer parte da rotina, mesmo quando não há sinais aparentes de doença.

Orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a redução da exposição ao calor, a oferta frequente de líquidos e a observação de sintomas que podem indicar agravamento do quadro.

Por que as crianças são mais vulneráveis

A faixa etária é um dos fatores que aumentam o risco de problemas relacionados ao calor. Crianças pequenas dependem dos adultos para beber água, escolher roupas adequadas, permanecer em locais frescos e interromper atividades físicas quando o corpo começa a apresentar sinais de cansaço.

Bebês e crianças menores também podem perder líquidos rapidamente em situações de calor intenso, febre, vômitos ou diarreia. A desidratação pode evoluir em pouco tempo e nem sempre é percebida no início.

O risco pode ser maior entre prematuros, crianças com deficiência, pacientes com asma ou outras doenças respiratórias e aquelas que fazem tratamento contínuo. Nessas situações, o acompanhamento com profissionais de saúde é importante para orientar cuidados específicos.

Hidratação deve ser oferecida ao longo do dia

A principal medida de prevenção é oferecer líquidos com frequência. Crianças maiores de seis meses devem ser estimuladas a beber água ao longo do dia, mesmo quando não relatam sede. A garrafa deve acompanhar a criança em casa, na escola, em passeios e durante atividades ao ar livre.

Para bebês com menos de seis meses em aleitamento materno exclusivo, a orientação divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde de Manaus é manter a amamentação e não oferecer água, chás, sucos ou outros líquidos sem orientação de um profissional. O leite materno atende às necessidades de hidratação dessa faixa etária, inclusive em períodos de calor.

Depois dos seis meses, frutas com grande quantidade de água, como melancia, melão, laranja e abacaxi, podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, respeitando a introdução alimentar e as condições de cada criança. A água, no entanto, deve continuar sendo a principal bebida.

Refrigerantes, sucos artificiais, bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados não substituem a água e devem ser evitados. Além de não contribuírem adequadamente para a hidratação, podem aumentar o consumo de açúcar e prejudicar a alimentação da criança.

Como identificar sinais de desidratação

Os responsáveis devem observar mudanças no comportamento e nos hábitos da criança. Entre os sinais de alerta estão boca seca, redução da quantidade de urina, urina mais escura, ausência ou diminuição de lágrimas ao chorar, olhos fundos, sede intensa, sonolência, irritabilidade e prostração.

Em bebês, também pode haver redução das mamadas, moleira deprimida e menor número de fraldas molhadas. Respiração acelerada, pulso fraco, extremidades frias e alteração do nível de consciência são sinais que exigem atendimento imediato.

Se a criança apresentar piora do estado geral, não conseguir beber líquidos, vomitar repetidamente, ficar muito sonolenta ou demonstrar dificuldade para respirar, os responsáveis devem procurar uma unidade de saúde. Em situações graves, o atendimento não deve ser adiado.

Exposição ao sol deve ser limitada

As atividades ao ar livre devem ser planejadas para os períodos menos quentes do dia. A recomendação geral é evitar a exposição direta ao sol entre o fim da manhã e o meio da tarde, quando a radiação ultravioleta e o calor tendem a ser mais intensos.

Mesmo fora desse intervalo, a criança deve permanecer preferencialmente na sombra, usar chapéu ou boné e vestir roupas leves, claras, confortáveis e que permitam a transpiração. Em passeios prolongados, é importante fazer pausas em locais frescos e oferecer água regularmente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso de proteção física, como roupas adequadas, chapéus e sombra. O protetor solar deve ser utilizado conforme a idade da criança e as orientações do fabricante ou de um profissional de saúde.

Em crianças pequenas, especialmente bebês, a prioridade deve ser impedir a exposição direta ao sol. O produto não deve ser usado como justificativa para prolongar a permanência sob radiação intensa.

Ambientes ventilados ajudam a reduzir o desconforto

Dentro de casa, os adultos devem manter os ambientes arejados e reduzir a entrada de calor quando o sol estiver mais forte. Cortinas, janelas e ventiladores podem ser utilizados conforme as condições do local. Equipamentos de ventilação e ar-condicionado precisam estar limpos para evitar o acúmulo de poeira, fungos e outros agentes que podem agravar alergias e doenças respiratórias.

Banhos frescos podem ajudar a aliviar o desconforto. Também é importante evitar excesso de roupas, cobertores e tecidos que impeçam a saída do calor. A criança deve ser observada durante o sono, principalmente em noites muito quentes.

O uso de ventilador ou ar-condicionado não elimina a necessidade de hidratação. Esses equipamentos ajudam a melhorar a sensação térmica, mas não substituem a oferta de água e a redução da exposição ao calor.

Atividades físicas exigem adaptação

Brincadeiras e exercícios em ambientes quentes devem ser reduzidos ou transferidos para horários mais frescos. Crianças não devem ser incentivadas a continuar uma atividade quando apresentam cansaço excessivo, tontura, dor de cabeça, náusea, fraqueza ou mal-estar.

Durante jogos, treinos e passeios, os adultos devem programar intervalos para descanso e hidratação. A intensidade da atividade precisa ser adequada à idade, à condição de saúde e à temperatura do ambiente.

Quando houver fumaça de queimadas ou piora da qualidade do ar, a permanência prolongada ao ar livre e a prática de atividades físicas devem ser evitadas. Crianças com asma e outras doenças respiratórias podem apresentar piora dos sintomas nessas condições.

Crianças nunca devem ficar sozinhas em veículos

Um dos cuidados mais importantes é nunca deixar uma criança sozinha dentro de carro, mesmo que os adultos pretendam se afastar por poucos minutos ou deixem o veículo com alguma abertura.

A temperatura interna de um automóvel pode subir rapidamente, favorecendo hipertermia, desidratação, perda de consciência e risco de morte. O perigo existe mesmo quando o veículo está estacionado à sombra ou quando o clima parece menos quente.

Também é importante conferir o banco traseiro antes de trancar o carro e manter bolsas, objetos pessoais ou outros itens da rotina próximos à cadeirinha, como forma de reduzir o risco de esquecimento.

Diferença entre mal-estar pelo calor e insolação

O calor pode provocar sintomas iniciais como suor excessivo, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea e cãibras. Nesses casos, a criança deve ser levada para um local fresco, receber roupas mais leves e ser observada de perto.

A insolação é uma condição mais grave. Segundo o Ministério da Saúde, ela ocorre quando o corpo perde a capacidade de regular a própria temperatura após exposição intensa ao calor e ao sol. Pele quente, temperatura elevada, confusão mental, desmaio, convulsão e dificuldade para respirar são sinais de emergência.

Em caso de suspeita de insolação, é necessário buscar atendimento médico imediatamente. Enquanto o socorro não chega, a criança deve ser retirada do sol e colocada em ambiente fresco e ventilado. Não se deve administrar medicamentos por conta própria nem esperar que os sintomas desapareçam sozinhos.

Cuidados devem envolver toda a rotina

A prevenção começa antes da saída de casa. Pais e responsáveis devem verificar se a criança levou água, escolher roupas adequadas, planejar o horário do passeio e identificar locais de sombra ou ambientes climatizados.

Escolas, creches, clubes e organizadores de atividades infantis também precisam adaptar a programação nos dias de calor intenso. A oferta de água, os intervalos para descanso e a redução de atividades físicas nas horas mais quentes são medidas importantes de proteção.

O calor do Amazonas faz parte da rotina regional, mas não deve ser tratado como um desconforto sem consequências. Com hidratação adequada, proteção contra o sol, ambientes ventilados e atenção aos primeiros sinais de alerta, é possível reduzir os riscos e proteger a saúde das crianças.

Em caso de dúvida ou agravamento dos sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde. Crianças com doenças crônicas ou condições específicas devem seguir as recomendações da equipe que acompanha o tratamento.