terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Como evitar insolação durante passeios no Amazonas

Saiba como evitar insolação durante passeios no Amazonas, quais sintomas exigem atenção e o que fazer em uma emergência causada pelo calor intenso.

Quem participa de passeios ao ar livre no Amazonas precisa redobrar a atenção com o calor, a exposição prolongada ao sol e a perda de líquidos. Trilhas, visitas a rios, praias, comunidades, parques, áreas de floresta e deslocamentos em embarcações podem exigir várias horas fora de ambientes climatizados.

Para evitar insolação durante passeios no Amazonas, é importante combinar hidratação frequente, proteção física contra o sol, roupas leves e intervalos em locais ventilados e com sombra. Também é fundamental reconhecer os primeiros sinais de mal-estar, porque a insolação pode evoluir rapidamente para uma emergência médica.

Segundo o Ministério da Saúde, a insolação ocorre quando o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura após exposição excessiva ao calor. Embora seja associada ao sol, a condição também pode surgir em ambientes quentes e úmidos, mesmo quando a pessoa não está diretamente sob a radiação solar. (gov.br)

O que é insolação

A insolação, também chamada em documentos técnicos de golpe de calor, é o estágio mais grave das doenças relacionadas ao calor. O organismo deixa de conseguir dissipar o excesso de temperatura, o que pode causar alterações neurológicas, desidratação intensa e danos a órgãos como cérebro, rins, coração e fígado.

O risco aumenta quando a pessoa permanece por muito tempo em locais quentes, realiza esforço físico intenso, usa roupas inadequadas, consome álcool ou não repõe a água perdida pelo suor. A umidade elevada também dificulta a evaporação do suor e pode atrapalhar o resfriamento natural do corpo.

É importante diferenciar insolação de queimadura solar. A queimadura atinge principalmente a pele e pode provocar vermelhidão, dor e formação de bolhas. Já a insolação está relacionada ao superaquecimento do organismo e pode causar sintomas gerais, como tontura, náusea, fraqueza e confusão mental. Os dois problemas podem ocorrer ao mesmo tempo.

Planeje o passeio antes de sair

O planejamento é uma das principais formas de reduzir o risco. Antes de sair, verifique a duração prevista do passeio, o tipo de percurso, a disponibilidade de sombra, a existência de pontos para reposição de água e as condições de transporte.

Em trilhas ou deslocamentos por áreas isoladas, leve água em quantidade suficiente para todo o grupo e considere o tempo adicional provocado por paradas, mudanças de rota ou atrasos. Uma garrafa térmica ou recipiente que preserve a temperatura da bebida pode ajudar, mas não substitui o planejamento da quantidade necessária.

Também é recomendável informar a familiares ou responsáveis qual será o roteiro, especialmente em atividades realizadas longe de áreas urbanas. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem ser acompanhados com atenção durante todo o percurso.

Evite os horários de maior calor

Sempre que possível, organize o passeio para o início da manhã ou para o fim da tarde. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação solar tende a ser mais intensa. Durante o restante do dia, a proteção continua necessária, sobretudo em atividades prolongadas.

O horário, no entanto, não deve ser tratado como uma garantia de segurança. Em áreas abertas, embarcações, praias de rio e locais sem cobertura, o calor pode ser intenso também fora desse intervalo. A decisão deve considerar a temperatura, a umidade, a duração do passeio e a possibilidade de acesso à sombra.

Durante a atividade, faça pausas regulares em locais frescos e ventilados. Não espere sentir exaustão, tontura ou sede intensa para interromper o percurso. Esses sinais podem indicar que o corpo já está sofrendo com o calor e a desidratação.

Mantenha a hidratação

A hidratação deve começar antes do passeio e continuar ao longo do trajeto. Beba água em pequenas quantidades e com frequência, mesmo que a sede ainda não esteja forte. O suor representa perda de líquidos e sais, especialmente durante caminhadas, atividades físicas e deslocamentos prolongados.

Água é a principal opção para a maioria das pessoas. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas porque podem favorecer a desidratação e reduzir a percepção dos sinais de alerta. Também é preciso cuidado com bebidas muito açucaradas ou energéticas, que não substituem a água e podem não ser adequadas para crianças.

Pessoas que usam diuréticos ou medicamentos para pressão alta, antidepressivos, antipsicóticos e outras condições devem conversar previamente com um profissional de saúde sobre os cuidados necessários. O Ministério da Saúde aponta que alguns medicamentos e doenças podem aumentar a vulnerabilidade ao calor. (gov.br)

Não existe uma quantidade única de água que sirva para todos. A necessidade varia conforme idade, peso, atividade física, temperatura, umidade, alimentação e condições de saúde. Por isso, pessoas com restrição de líquidos por problemas cardíacos ou renais não devem aumentar a ingestão por conta própria.

Use proteção contra o sol

Roupas leves, folgadas e de cores claras ajudam a reduzir o aquecimento do corpo. Camisas de manga longa, tecidos respiráveis e peças com proteção contra a radiação ultravioleta podem ser úteis em atividades realizadas por várias horas.

Chapéu ou boné, óculos escuros e guarda-sol também complementam a proteção. Em trilhas, a cobertura da cabeça deve ser confortável e permitir ventilação. Em passeios de barco, o uso de chapéu com boa fixação é importante para evitar que o acessório caia ou comprometa a segurança.

O protetor solar deve ser aplicado nas áreas expostas, conforme as orientações do rótulo, e reaplicado quando necessário, especialmente após entrar na água, transpirar muito ou permanecer por longos períodos ao ar livre. O produto protege a pele contra a radiação ultravioleta, mas não impede o superaquecimento do corpo. Portanto, o uso do filtro não elimina a necessidade de sombra, hidratação e pausas.

O Ministério da Saúde recomenda que viajantes usem roupas apropriadas, chapéu ou boné e óculos escuros, além de evitarem a exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade. (gov.br)

Fique atento aos sinais do corpo

Dor de cabeça, tontura, náusea, fraqueza, cansaço incomum, sede intensa, visão alterada, pele muito quente e aumento da temperatura corporal são sinais de alerta. A pessoa deve interromper a atividade, sair do sol, procurar um local ventilado e iniciar o resfriamento do corpo.

A evolução para um quadro grave pode incluir confusão mental, fala alterada, desmaio, convulsão, respiração acelerada, pulso muito rápido, dificuldade para respirar e perda de consciência. Pele quente e seca pode aparecer, mas a presença de suor não exclui uma emergência relacionada ao calor.

Crianças pequenas nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo. Irritabilidade, sonolência fora do habitual, choro persistente, fraqueza, recusa de líquidos e alteração de comportamento merecem atenção. Em idosos, a percepção de sede pode ser reduzida, o que torna necessário oferecer líquidos regularmente, respeitando eventuais restrições médicas.

O que fazer em caso de suspeita

Ao identificar sinais de insolação, leve a pessoa imediatamente para um local fresco, sombreado e ventilado. Retire o excesso de roupas e inicie o resfriamento com água fresca, panos úmidos e compressas frias no pescoço, nas axilas e na virilha. Também é possível melhorar a circulação de ar ao redor do corpo.

Se a pessoa estiver consciente, orientada e conseguir engolir, podem ser oferecidos pequenos goles de água. Não ofereça líquidos a alguém confuso, desmaiado, convulsionando ou com dificuldade para engolir, pois existe risco de engasgo.

Confusão mental, convulsão, desmaio, dificuldade para respirar ou temperatura corporal muito elevada exigem atendimento imediato. Nesses casos, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192 ou procure o serviço de emergência mais próximo. A recomendação é continuar o resfriamento enquanto a ajuda não chega, sem deixar a pessoa sozinha. (gov.br)

Se houver convulsão, não tente conter os movimentos nem coloque objetos na boca da pessoa. Afaste itens que possam causar ferimentos, proteja a cabeça e aguarde o atendimento especializado.

Quem precisa de atenção redobrada

O risco de complicações é maior entre crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças cardiovasculares, renais ou respiratórias, indivíduos com diabetes e pessoas que utilizam determinados medicamentos. Pessoas com baixa tolerância ao calor, pouca mobilidade ou dificuldade para pedir ajuda também devem ser monitoradas.

Em grupos de passeio, é recomendável adotar um sistema de acompanhamento. Cada participante pode observar outro integrante para identificar mudanças de comportamento, dificuldade de caminhar, fala confusa ou sinais de exaustão. Essa medida é especialmente importante em trilhas e atividades realizadas longe de atendimento médico.

Checklist para passeios no Amazonas

  • Leve água suficiente para a duração prevista e possíveis atrasos.
  • Prefira horários de menor calor e evite longos períodos sob o sol entre 10h e 16h.
  • Use roupas leves, chapéu ou boné e óculos escuros.
  • Aplique protetor solar nas áreas expostas e reaplique conforme as orientações do fabricante.
  • Faça pausas frequentes em locais de sombra e com ventilação.
  • Evite bebidas alcoólicas durante a atividade.
  • Observe crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
  • Interrompa o passeio ao surgirem tontura, náusea, fraqueza, dor de cabeça ou confusão.
  • Em caso de desmaio, convulsão ou alteração mental, acione o SAMU pelo 192.

Com planejamento e atenção aos sinais do corpo, é possível aproveitar os passeios no Amazonas com mais segurança. A proteção contra a insolação não depende de uma única medida: resulta da combinação entre hidratação, roupas adequadas, proteção solar, pausas e resposta rápida diante dos primeiros sintomas.