terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Como proteger os olhos durante os dias de sol intenso no Amazonas

A exposição prolongada ao sol intenso pode aumentar o risco de irritações, queimaduras na córnea, pterígio e catarata. Saiba como escolher óculos de sol, quais cuidados adotar no dia a dia e quando procurar atendimento oftalmológico no Amazonas.

Proteger os olhos do sol no Amazonas exige atenção durante atividades ao ar livre, especialmente em dias de calor intenso, deslocamentos, trabalhos externos e momentos de lazer. A exposição acumulada à radiação ultravioleta, mesmo quando não há desconforto imediato, pode contribuir para irritações e problemas oculares ao longo do tempo.

Óculos de sol com proteção contra os raios UVA e UVB, chapéu de abas largas e preferência por locais protegidos nos horários de maior radiação são algumas das principais medidas recomendadas por órgãos de saúde. A proteção deve ser mantida também em dias nublados, porque a radiação ultravioleta pode atravessar as nuvens.

Por que o sol pode prejudicar os olhos

A radiação ultravioleta é invisível e pode atingir estruturas sensíveis dos olhos. Parte dos efeitos aparece pouco tempo depois da exposição, enquanto outros podem se desenvolver com o acúmulo de danos ao longo dos anos.

Entre as reações agudas está a fotoceratite, uma inflamação da córnea que pode ser comparada a uma queimadura solar na superfície ocular. O quadro pode causar dor, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos e sensibilidade intensa à luz. A conjuntiva, membrana que reveste a parte interna das pálpebras e a superfície do olho, também pode sofrer inflamação.

A exposição prolongada aos raios ultravioleta também está associada a alterações como pinguécula e pterígio. O pterígio é um crescimento de tecido que pode avançar sobre a córnea e, em alguns casos, interferir na visão. A radiação UV ainda é reconhecida como fator de risco para catarata, doença que provoca opacidade do cristalino e pode deixar a visão embaçada.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os efeitos da radiação ultravioleta nos olhos podem ser imediatos, como a fotoceratite, ou aparecer depois de exposições repetidas, incluindo a contribuição para o desenvolvimento de catarata. (who.int)

Óculos de sol precisam bloquear os raios UVA e UVB

A principal característica de um óculos de sol não deve ser apenas a cor ou o formato das lentes. O consumidor precisa verificar se o produto oferece proteção contra os raios UVA e UVB. Lentes escuras sem proteção adequada podem reduzir a luminosidade e, ao mesmo tempo, favorecer a dilatação da pupila, permitindo maior entrada de radiação no olho.

As recomendações do National Eye Institute indicam a escolha de óculos capazes de bloquear de 99% a 100% dos raios UVA e UVB. Também é possível encontrar nos produtos a indicação UV400, que sinaliza proteção contra a radiação ultravioleta até esse comprimento de onda.

O ideal é optar por armações que se ajustem bem ao rosto e reduzam a entrada de luz pelas laterais, pela parte superior e pela parte inferior. Modelos maiores ou envolventes podem ser úteis em atividades com exposição intensa, principalmente quando há vento, poeira ou superfícies que refletem muita luz.

Não é necessário escolher a opção mais cara para obter proteção. O mais importante é que a informação sobre a filtragem ultravioleta seja confiável. Em caso de dúvida sobre a qualidade das lentes, uma ótica pode orientar o consumidor e verificar o produto com equipamento apropriado. (nei.nih.gov)

Lentes polarizadas reduzem o brilho, mas não substituem a proteção UV

As lentes polarizadas podem diminuir o reflexo da luz em superfícies como água, asfalto, areia e concreto. Esse recurso ajuda a reduzir o desconforto visual e o excesso de brilho, mas não substitui a proteção contra os raios ultravioleta.

Por isso, ao escolher um óculos polarizado, também é necessário confirmar se ele bloqueia UVA e UVB. A polarização está relacionada principalmente ao controle do reflexo; a filtragem ultravioleta é a medida que protege diretamente contra a radiação.

Esse cuidado é especialmente útil para pessoas que passam muito tempo em barcos, portos, margens de rios, estradas, áreas abertas ou locais com forte incidência de luz refletida. Mesmo na sombra, a radiação pode ser refletida pela água, pelo solo e por outras superfícies.

Chapéu e sombra reforçam a proteção

O uso de óculos deve ser combinado com outras medidas. Chapéus e bonés ajudam a reduzir a incidência direta de luz no rosto, embora os modelos de abas largas ofereçam uma área de proteção maior do que os bonés convencionais.

Buscar sombra nos períodos de maior radiação também reduz a exposição. Órgãos de saúde recomendam evitar, sempre que possível, a permanência prolongada ao ar livre entre 10h e 16h, faixa em que a radiação ultravioleta costuma ser mais intensa. A recomendação não significa que seja necessário interromper toda atividade externa, mas indica a importância de planejar horários, fazer pausas e usar proteção adequada.

O Instituto Nacional de Câncer inclui chapéus, óculos escuros, roupas que cubram a pele e a busca por sombra entre as estratégias de proteção contra os efeitos da radiação solar. (gov.br)

Cuidados para quem usa lentes de contato

Algumas lentes de contato oferecem proteção contra parte da radiação ultravioleta, mas essa cobertura não substitui o uso de óculos de sol. As lentes de contato não protegem completamente a superfície ocular nem a pele ao redor dos olhos.

Quem usa lentes deve manter os cuidados de higiene, lavar as mãos antes de colocá-las ou retirá-las e respeitar o período de uso indicado pelo fabricante ou pelo oftalmologista. Em ambientes com poeira, vento, fumaça ou água, o desconforto pode aumentar.

Se houver sensação persistente de ressecamento, ardência, dor, vermelhidão ou visão embaçada, a pessoa deve retirar as lentes, evitar a automedicação e procurar orientação profissional. Colírios não devem ser usados de forma indiscriminada, principalmente os que contêm medicamentos.

Como reduzir irritação, ressecamento e desconforto

O calor, o vento, a poeira e o uso prolongado de telas podem contribuir para o ressecamento ocular durante períodos de sol intenso. Piscar com frequência, fazer pausas ao usar celular ou computador e evitar direcionar ventiladores e aparelhos de ar-condicionado diretamente para o rosto são medidas simples.

Também é importante não coçar os olhos. O hábito pode agravar irritações, causar pequenas lesões e aumentar o risco de problemas na córnea. Se houver sujeira ou algum corpo estranho, a orientação é lavar os olhos com água limpa ou solução apropriada, sem tentar retirar o material com objetos, tecidos ou as mãos.

O Ministério da Saúde orienta evitar a automedicação e procurar atendimento diante de alterações na visão. O uso inadequado de colírios, principalmente aqueles com corticoides, pode provocar complicações, como aumento da pressão ocular e catarata. (gov.br)

Crianças também precisam de proteção

Crianças passam bastante tempo em atividades externas e nem sempre percebem os sinais de irritação. Por isso, os responsáveis devem estimular o uso de chapéu e óculos adequados ao tamanho do rosto, desde que o produto tenha proteção comprovada contra a radiação ultravioleta.

O acessório precisa ser confortável, não escorregar e não limitar a visão. Óculos quebrados, com lentes arranhadas ou sem identificação sobre a proteção UV devem ser substituídos. Em algumas situações, principalmente quando a criança não aceita usar óculos, o chapéu e a permanência na sombra ganham importância.

Quando procurar um oftalmologista

Desconfortos leves podem ocorrer após um longo período sob o sol, mas sintomas intensos ou persistentes precisam de avaliação. Procure atendimento se houver dor forte, vermelhidão que não melhora, sensibilidade intensa à luz, secreção, sensação contínua de corpo estranho, perda ou alteração da visão.

Também é recomendável buscar avaliação após exposição a fontes intensas de radiação, como solda, ou quando os sintomas surgirem algumas horas depois de uma atividade externa prolongada. A fotoceratite pode apresentar início tardio, com dor e lacrimejamento aparecendo depois que a pessoa deixa o local de exposição.

Não pingue colírios anestésicos, antibióticos ou anti-inflamatórios por conta própria. O diagnóstico depende da avaliação clínica e o tratamento varia conforme a causa do problema.

Checklist para os dias de sol intenso

  • Use óculos de sol com proteção de 99% a 100% contra UVA e UVB ou indicação UV400.
  • Prefira armações que cubram bem os olhos e reduzam a entrada de luz pelas laterais.
  • Combine os óculos com chapéu de abas largas.
  • Evite exposição prolongada entre 10h e 16h, sempre que possível.
  • Redobre o cuidado perto de água, areia, concreto e outras superfícies reflexivas.
  • Não confunda lente escura ou polarizada com proteção ultravioleta.
  • Não coce os olhos e não compartilhe colírios.
  • Procure atendimento se houver dor, visão embaçada, secreção ou sensibilidade intensa à luz.

Adotar esses cuidados ajuda a reduzir a exposição dos olhos à radiação ultravioleta e a manter o conforto visual durante os períodos de sol intenso no Amazonas. A proteção deve fazer parte da rotina, não apenas de passeios ou viagens, porque os efeitos da radiação são cumulativos e podem ocorrer mesmo quando não há sintomas imediatos.