A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), realizou nesta quarta-feira, 21/1, na USF Prefeito Amazonino Mendes, bairro Lago Azul, zona Norte, uma das etapas do inquérito financiado pelo Ministério da saúde e coordenado pelo Instituto de Pesquisa em Populações Prioritárias (IRPP) para identificar tuberculose e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em populações indígenas urbanizadas.
Parcerias e público atendido
A ação contou com parceria da Fundação de Vigilância em saúde do Amazonas Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD). A programação ofereceu atendimento em demanda livre para indígenas a partir de 18 anos.
Serviços realizados no mutirão
No local foram disponibilizados aferição de pressão arterial, glicemia, bioimpedância, testes rápidos para HIV, hepatite e sífilis, coleta de escarro e equipamento portátil de Raio X com uso de inteligência artificial para avaliar a probabilidade de tuberculose nos pacientes.
A gerente de Vigilância Epidemiológica da Semsa, enfermeira Eunice Jácome, afirmou que o projeto começou a ser executado em Manaus em março de 2025, inicialmente na comunidade Parque das Tribos, zona Oeste, e foi ampliado para atender populações indígenas urbanizadas em toda a cidade.
Segundo Eunice Jácome, o inquérito busca identificar casos de tuberculose e ISTs independentemente de sintomas. Todos os participantes realizam os exames, incluindo a coleta de escarro, o que permitirá à Semsa identificar casos novos e iniciar o tratamento, além de subsidiar o planejamento de políticas públicas.
Cronograma e continuidade
A programação segue nesta quinta-feira, 22/1, na USF Carmen Nicolau, rua Nestor Nascimento, s/nº, bairro Lago Azul, com atendimento voltado a Populações Indígenas Urbanizadas, em demanda livre, para maiores de 18 anos. O atendimento terá continuidade até sábado, 24/1, com os mesmos serviços, incluindo testes para detectar tuberculose latente. Conforme o resultado dos exames, a Semsa dará seguimento ao acompanhamento com consultas médicas e demais serviços.
Objetivos do inquérito e ampliação regional
A pesquisadora do IRPP, médica Beatriz Duarte, explicou que o objetivo é identificar a prevalência de doenças entre populações vulneráveis, assim como condições de saúde e determinantes sociais que afetam esse grupo, permitindo que gestores planejem ações com base em dados.
Beatriz Duarte ressaltou que a iniciativa busca dar visibilidade a populações que frequentemente estão sem registros suficientes, o que dificulta a formulação de políticas públicas. No inquérito serão analisadas prevalências de doenças como diabetes, hipertensão, ISTs e tuberculose, além da avaliação de tecnologias que permitam diagnóstico mais rápido durante o atendimento.
O projeto será aplicado também na Bahia, com populações indígenas em contextos não urbanos, e tem a estimativa de avaliar até cinco mil pessoas até junho deste ano. Os resultados serão repassados às gestões locais e nacional e publicados para a comunidade científica.
Situação atual em Manaus e impacto esperado
O município de Manaus registrou 3.206 casos novos de tuberculose no ano passado, com 25 casos entre indígenas. Esses números podem indicar subnotificação ou falha na identificação de etnia nos cadastros.
A chefe do Núcleo de Controle de Tuberculose da Semsa, Anne Kimi Okazaki, afirmou que a população indígena é historicamente mais vulnerável e tem menos acesso a serviços de saúde, o que leva muitas vezes ao diagnóstico tardio. Ela acrescentou que, com os dados do inquérito, será possível elaborar projetos direcionados para melhorar o atendimento dessa população.
Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Cristian Guerreiro/Semsa
Disponíveis em – https://flic.kr/s/aHBqjCHhUi
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