A gestação de uma nova vida é um momento especial e delicado, que demanda cuidados constantes para assegurar o bem-estar da futura mãe e o desenvolvimento saudável do bebê. Profissionais da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), da Prefeitura de Manaus, enfatizam a importância do pré-natal para a detecção precoce de doenças como diabetes, síndrome hipertensiva na gestação e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), e a prevenção de complicações na gravidez, parto e puerpério.
A técnica da Divisão de Atenção à saúde da Mulher, enfermeira Gerda Costa, relata que o pré-natal na Atenção Primária à saúde (APS) inclui consultas com médicos e enfermeiros, exames e outros procedimentos voltados à saúde da gestante e ao desenvolvimento regular do feto. “Esse acompanhamento tem como objetivo a redução da morbidade e da mortalidade materna, fetal, neonatal e infantil”, pontua a servidora.
A recomendação às gestantes é iniciar o pré-natal até a 12ª semana, permitindo a atenção oportuna a condições capazes de afetar a saúde da mulher e da criança. “Essa fase é crucial, por exemplo, para fazer a suplementação de ácido fólico na dieta materna, micronutriente essencial na formação do sistema nervoso do bebê, e para prevenir a transmissão de doenças, como ISTs, da mãe para a criança”, diz Gerda.
A enfermeira destaca a consulta inicial como uma das mais importantes do pré-natal, pois nela o profissional de saúde coleta dados essenciais da gestante, como histórico médico, familiar e estilo de vida, e conduz uma avaliação física completa para aferir a situação da mãe e do feto.
Também nesse atendimento é feita a estratificação inicial da gestação entre baixo, moderado ou alto risco, a partir da detecção de doenças ou condições de risco que possam levar a um desfecho desfavorável. Essa classificação, relata Gerda, direciona a conduta da equipe de saúde, indicando a necessidade de se encaminhar ou não a gestante a um Ambulatório de Gestação e Puerpério de Alto Risco (Agpar), habilitado para atendimentos de maior complexidade.
“Mas nós, da atenção primária, não largamos a mão dessa gestante. Ela fica em acompanhamento compartilhado conosco e com as equipes da Atenção Especializada”, enfatiza a técnica da Semsa.
Além da avaliação física regular, o pré-natal na atenção primária inclui exames diversos para aferir riscos à saúde materna e fetal. Entre eles, exames para rastreio do diabetes mellitus gestacional; testes para detecção de sífilis, HIV, hepatite B e C, que podem ser transmitidas da mãe para o bebê; e da toxoplasmose, que também traz risco para a gestação. O Ministério da saúde recomenda ainda um ultrassom obstétrico, exame também ofertado na REDE municipal, via Sistema de Regulação (Sisreg).
As gestantes acompanhadas na REDE básica têm ainda suplementação de micronutrientes essenciais. Segundo Gerda, além do ácido fólico, ofertado até a 12ª semana da gestação, são suplementados o sulfato ferroso, durante toda a gravidez até três meses após o parto, para prevenção de anemia; e o cálcio, a partir da 12ª semana.
“As grávidas com risco maior para pré-eclâmpsia fazem também uso de um comprimido diário de ácido acetilsalicílico, o AAS, para prevenir a complicação, juntamente com o cálcio”, informa a técnica.
A vacinação é outro cuidado básico durante a gravidez. O calendário da gestante, relata Gerda, inclui as vacinas dupla bacteriana adulto (dT), contra difteria e tétano, com três doses; a dTPa, que acresce proteção contra coqueluche, com uma dose a cada gestação, podendo complementar o esquema da dT; e hepatite B, com três doses.
“Ela deve receber ainda as vacinas contra influenza e Covid-19, com uma dose, cada, em toda gestação, e contra o vírus sincicial respiratório, o VSR, essa incluída mais recentemente pelo Ministério da saúde, para prevenção da bronquiolite do bebê”, explica.
Cuidado intersetorial
E a atenção pré-natal não se resume à saúde da mulher e da criança. Exemplo é o chamado pré-natal do parceiro: a estratégia lançada há dez anos pelo SUS, como parte da Política Nacional de Atenção Integral à saúde do Homem, reforça o papel das parcerias no cuidado familiar e prevê a oferta de acompanhamento do calendário vacinal, realização de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites, exames de colesterol e glicemia, entre outros serviços de saúde.
Já o pré-natal odontológico fortalece a saúde bucal materna e infantil. Conforme a técnica da Gerência de saúde Bucal da Semsa, cirurgiã-dentista Kátia Felizardo, o acompanhamento inclui avaliação de saúde bucal e tratamento odontológico da gestante, quando necessário, e ainda educação em saúde bucal, ensinando a futura mãe como fazer a escovação no bebê e destacando a importância do acompanhamento odontológico nos primeiros meses de vida da criança.
“Buscamos promover a melhoria da saúde bucal da gestante e também orientá-la sobre como cuidar do bebê, quando ele vier a nascer, para que não tenha problemas com cáries e outras doenças bucais”, aponta a cirurgiã-dentista.
De acordo com a avaliação global realizada no pré-natal, a gestante PODE ainda ser encaminhada para atendimento com nutricionista, psicólogo e outros integrantes das equipes multiprofissionais (eMulti) da Semsa.
Outro momento relevante durante o pré-natal é a visita de vinculação da gestante à maternidade. Nessa atividade, a usuária poderá não só conhecer a unidade materno-infantil por dentro, mas conversar com as equipes de saúde e tirar dúvidas, por exemplo, sobre os sinais do trabalho de parto ativo e o momento certo de ir para a maternidade.
“Os profissionais ainda vão informar a gestante sobre o direito dela a um acompanhante de livre escolha, sobre os documentos necessários para o registro civil de nascimento do bebê, entre outros assuntos”, antecipa Gerda Costa.
Conforme a enfermeira, para a atenção primária, o acompanhamento pré-natal termina não com o parto, mas com a consulta puerperal, que deve ocorrer até sete dias após o nascimento do bebê. “Essa consulta faz parte do acompanhamento no ciclo gravídico-puerperal, e com ela nós encerramos efetivamente o pré-natal daquela usuária”.
Gestação em grupos
Além do pré-natal, outra estratégia de cuidado e apoio a mães e futuras mães na atenção primária são os grupos de gestantes. As formações são coordenadas pelas equipes de saúde das unidades básicas, em formato presencial ou baseada em aplicativo de mensagens, e têm foco na educação em saúde.
“Nesses grupos, as equipes de saúde trazem informações e temas que vão ajudar as usuárias e suas parcerias a navegar, por assim dizer, no período da gestação e puerpério, e também no cuidado com o bebê”, relata Gerda Costa.
Os assuntos abordados nos grupos, cita a enfermeira, incluem amamentação, alimentação saudável para gestantes e nutrizes, violência obstétrica, pré-natal do parceiro, infecções sexualmente transmissíveis, direitos das gestantes, entre outros.
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Texto – Jony Clay Borges / Semsa
Fotos – Divulgação / Semsa
