Kelveny Seixas, ex-socioeducando atendido pela SEJUSC, concluiu o ensino médio e atualmente cursa o terceiro período de Direito. Ele esteve em medida socioeducativa no Departamento de Atendimento Socioeducativo (Dase) e diz que a rotina educativa e o suporte da equipe técnica foram decisivos para sua continuidade nos estudos e ingresso no ensino superior.
Trajetória dentro da unidade e retomada dos estudos
Durante o período em que cumpriu medida socioeducativa, Kelveny participou das aulas ofertadas na unidade e recebeu acompanhamento psicossocial. Conforme relato do próprio jovem, a oferta educativa diária foi responsável por permitir a conclusão do ensino médio e a entrada na faculdade.
“A educação é muito importante na nossa vida. Muitos chegam sem matrícula, com ensino incompleto ou atrasado. Quando a gente entra nesse mundo, muitas vezes não tem oportunidade de estudar. Mas dentro do sistema, temos aula todo dia. Isso fez diferença para mim.”
Kelveny informa que, após deixar a unidade, o sistema o ajudou a conseguir uma vaga em uma faculdade gratuita, o que ampliou suas perspectivas profissionais e acadêmicas. “Eu concluí o ensino médio e, depois que saí, o sistema me ajudou a conseguir uma faculdade gratuita. Isso abre portas, tanto para conseguir trabalho quanto para entrar na universidade, como aconteceu comigo.”
Organização do ensino nas unidades
Segundo o chefe do departamento, Jerlisson Portilho, o processo educacional nas unidades é individualizado. Não há calendário escolar fixo: o trabalho começa no dia em que o adolescente entra no sistema, com avaliação da documentação e nivelamento para identificar onde ele parou e em qual série deve ser matriculado.
“Dentro da unidade, a gente faz esse nivelamento justamente para igualar e matricular o adolescente na série correspondente, garantindo que ele conclua o ano letivo. E, quando ele deixa a unidade, permanece matriculado. Existe uma determinação judicial para que a escola o acolha e dê continuidade à etapa em que ele parou”, explica Portilho.
Acompanhamento pós-saída e o programa Conectados
O acompanhamento não termina com a saída do jovem da unidade. A Secretaria Executiva de Direitos da Criança e Adolescente (Sedca), da SEJUSC, mantém contato e oferece orientação, apoio e incentivo para que os egressos permaneçam na escola e busquem novas oportunidades.
Para dar continuidade a esse trabalho, a SEJUSC mantém o programa #Conectados, que acompanha os jovens no retorno ao convívio social. Com apoio de instituições públicas e privadas, os egressos têm acesso a oportunidades no ensino superior, no mercado de trabalho e na continuidade dos estudos. Famílias em situação de vulnerabilidade também podem receber cestas de alimentos quando determinado judicialmente.
Unidades socioeducativas que ofertam educação
Unidade de Internação Provisória (UIP): recebe adolescentes encaminhados pelo Ministério Público para medidas cautelares de até 45 dias. São jovens de 12 a 18 anos, excepcionalmente até 21, com capacidade para 48 vagas. A unidade oferece aulas, atividades esportivas e acompanhamento psicossocial enquanto os jovens aguardam decisão judicial.
Centro Socioeducativo de Internação Feminina: atende adolescentes do sexo feminino e jovens que se autodeclaram transexuais, transgêneros ou travestis. Com capacidade para 15 vagas, recebe internação provisória, internação e semiliberdade, e oferece educação, cursos, apoio psicológico e atividades culturais.
Centro Socioeducativo Senador Raimundo Parente: voltado para adolescentes do sexo masculino de 12 a 15 anos em internação. A unidade tem capacidade para 36 jovens e mantém rotina educativa, oficinas, atividades esportivas e acompanhamento psicossocial.
Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitoza: a maior unidade do sistema, com capacidade para 64 adolescentes do sexo masculino, de 16 a 18 anos, até 21 em casos excepcionais. Oferece educação regular, cursos profissionalizantes, atividades esportivas e apoio jurídico e psicossocial.
Unidade de Semiliberdade Masculina: atende adolescentes de 12 a 18 anos, até 21 excepcionalmente, em medida de semiliberdade. Com capacidade para 20 vagas, permite que estudem e trabalhem fora da unidade, retornando diariamente para atividades de acompanhamento e fortalecimento pessoal e familiar.
Ao longo do processo, a SEJUSC busca garantir a continuidade escolar e o acesso a oportunidades que favoreçam a inserção social e profissional dos jovens atendidos.
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