Questionário de Suspeição de Hanseníase é usado em Manaus desde 2022 e reforça janeiro roxo na identificação precoce

Ferramenta aplicada por equipes da atenção primária, em escolas e nas comunidades, para detectar sinais iniciais da hanseníase.

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), aplica desde 2022 o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH) como estratégia para identificar casos em tempo oportuno. O instrumento é usado rotineiramente nas unidades de saúde, em escolas e nos bairros pelos Agentes Comunitários de saúde (ACSs), com reforço durante a campanha Janeiro Roxo.

Aplicação do questionário e resultados

Segundo Ana Cristina Malveira, chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), o QSH reúne perguntas sobre sinais neurológicos e dermatológicos precoces relacionados à doença e permite avaliar alterações que, muitas vezes, passam despercebidas. “O fator tempo é fundamental no tratamento da hanseníase. Quando a doença é identificada rapidamente, a pessoa já PODE começar o tratamento, o que já quebra o seu ciclo de transmissão”, afirma a enfermeira.

De acordo com a Semsa, o instrumento foi adotado em 2022 e, entre 170 casos considerados suspeitos, 22 foram confirmados. A aplicação segue critérios técnicos da vigilância em saúde e é direcionada a pessoas com sinais sugestivos, como manchas na pele com perda de sensibilidade, dormência, formigamento e fraqueza em mãos e pés, além de histórico de contato próximo com casos confirmados.

Critérios de prioridade territorial e busca ativa

A definição das áreas de atuação considera critérios epidemiológicos e territoriais. São priorizados bairros com histórico recente de casos, altas taxas de detecção, ocorrência de casos em menores de 15 anos, registros de casos com grau 2 de incapacidade no diagnóstico e abandono de tratamento.

indicadores sociais também orientam as ações: maior densidade populacional, moradia precária e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A partir dessa análise, a vigilância em saúde e as equipes da atenção básica organizam ações de busca ativa em feiras, escolas, unidades de saúde e eventos comunitários.

Sinais e sintomas e importância do diagnóstico precoce

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, tem evolução lenta e período de incubação geralmente entre dois e sete anos, o que dificulta o diagnóstico precoce. A infecção PODE se manifestar por manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, frequentemente com perda de sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor, além de dormências, formigamentos e fraqueza em mãos e pés.

Muitos pacientes podem conviver com esses sinais por meses ou anos sem identificar a doença, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o risco de incapacidades físicas permanentes. “O tratamento em tempo oportuno evita o surgimento de lesões irreversíveis, que representam prejuízo na saúde física e na vida social dos pacientes”, ressalta Ana Cristina Malveira.

Públicos-alvo e papel da comunidade

O QSH também é aplicado em grupos de maior risco: moradores de áreas com maior vulnerabilidade social, pessoas que vivem em domicílios com aglomeração e indivíduos que procuram serviços de saúde por queixas dermatoneurológicas inespecíficas. O objetivo é identificar rapidamente quem precisa de avaliação clínica detalhada e encaminhamento para diagnóstico e tratamento.

A chefe do Nuhan destaca a participação da comunidade como elemento central. Segundo ela, responder ao questionário com atenção e procurar uma unidade de saúde ao perceber alterações na pele ou nos nervos contribui para a proteção de famílias e para reduzir o estigma que ainda cerca a doença.

Dados do Núcleo de Controle da Hanseníase indicam que, em 2025, Manaus registrou 106 casos novos da doença, dos quais 10 envolveram pessoas menores de 15 anos, o que evidencia a transmissão em grupos familiares e entre contatos próximos.

Texto – Tânia Brandão/Semsa

Fotos – Divulgação/Semsa

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