Projeto exige formação de professores focada em transtorno do espectro autista

06/02/2026 – 15:10  

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Renata Abreu: inclusão efetiva depende de capacitação

O Projeto de Lei 1430/25 propõe alterações na Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (LDB) para tornar obrigatória a formação permanente de educadores voltada à inclusão escolar, com foco específico em estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O texto está em análise na Câmara dos Deputados.
De autoria da deputada Renata Abreu (PODE-SP), o texto estabelece que tanto a formação inicial (licenciatura) quanto a continuada deverão preparar os docentes para a elaboração e aplicação do Planejamento Educacional Individualizado (PEI).
O PEI é uma ferramenta pedagógica essencial para a inclusão. Ele funciona como um “mapa” personalizado que descreve as habilidades, dificuldades e metas de aprendizado de cada aluno com deficiência, adaptando o currículo às suas necessidades reais. Ao tornar o ensino dessa ferramenta obrigatório na formação docente, o projeto busca garantir que a adaptação escolar saia do papel.
O que muda na legislaçãoAs principais mudanças feitas pelo projeto incluem:
Formação permanente: a inclusão de um inciso determinando que a formação dos profissionais da educação deve ter ênfase na educação inclusiva e na criação de planejamentos individualizados para autistas, alinhando-se à Lei Berenice Piana.
Currículos de licenciatura: a exigência de que os cursos de formação de docentes para a educação básica contemplem, obrigatoriamente, conteúdos e metodologias sobre a compreensão do autismo e a elaboração de PEIs.
Renata Abreu argumenta que, embora a legislação brasileira já garanta o direito à educação para pessoas com TEA, a inclusão efetiva esbarra na falta de preparo técnico dos professores.
“A efetivação dessa inclusão depende diretamente da capacitação dos educadores para compreender as necessidades individuais e desenvolver planejamentos educacionais personalizados”, afirma a deputada no documento. Ela destaca ainda que a alteração visa suprir uma lacuna na LDB, que atualmente não detalha a necessidade de treinamento específico para as particularidades do autismo.
Próximos passosA proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de defesa dos direitos das Pessoas com Deficiência; de educação; e de Constituição e justiça e de Cidadania.
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Reportagem – Emanuelle BrasilEdição – Ana Chalub

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