Avanços da saúde de Manaus são apresentados durante programação do Laboratório Ítalo-Brasileiro, na Itália

O Judiciário

Os avanços da saúde pública no município de Manaus, particularmente no que se refere à ampliação da cobertura da Atenção Básica em Saúde e à saúde rural, foram apresentados pela titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Shádia Fraxe, na mesa redonda “A Luta da Administração Pública no Brasil em Políticas Universalistas: Os Nós e Os Desafios”, realizada na tarde desta quinta-feira, 27/2, penúltimo dia do 17º Laboratório Ítalo-Brasileiro (e não só) de Formação, Pesquisa e Práticas em Saúde Coletiva.

O evento reúne desde a última segunda-feira, 24, gestores, técnicos e pesquisadores da saúde, além de representantes políticos dos dois países para a troca de experiências e elaboração de possíveis parcerias que permitam implementar ações, métodos e tecnologias nas áreas de promoção e assistência à saúde. 

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Shádia Fraxe contextualizou Manaus no cenário dos desafios amazônicos, com uma grande população concentrada na área urbana e a população rural distribuída de modo disperso em um território sujeito ao regime dos rios, e citou diversos avanços que permitiram que a capital amazonense ampliasse a cobertura de Atenção Primária à Saúde de 42% para 90% e que conquistasse por sete vezes consecutivas a liderança do ranking de saúde básica entre as capitais brasileiras. 

Entre os pontos destacados pela secretária estão o uso de plantas medicinais por meio do programa Farmácia Viva, a articulação intersetorial para o combate a endemias como a malária, que segue como um grande desafio e o uso de tecnologias como o painel de bordo que permite a visualização em tempo real de dados epidemiológicos e de produção, e o funcionamento do prontuário eletrônico em todos os serviços de saúde, mesmo os das áreas ribeirinhas mais distantes.

“Só tenho como enxergar o que está acontecendo em tempo real em todos os distritos de saúde da minha cidade se eu tiver o monitoramento digital. Hoje eu tenho como saber, da minha sala de trabalho, por exemplo, se a grávida faltou à consulta de pré-natal e acionar um agente comunitário de saúde para ir até essa pessoa”, citou.

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A secretária também expôs estratégias usadas pela Prefeitura de Manaus para enfrentar a Covid-19, no momento mais crítico da pandemia. Ela exibiu um vídeo mostrando um dos viradões realizados com pontos de vacinação drive-thru abertos por 36 horas ininterruptas, quando foram vacinadas mais de 88 mil pessoas. “Estabelecemos as medidas que o cenário requeria e acabamos sendo reconhecidos pelos resultados que alcançamos”, disse Shádia.

O programa Leite do Meu Filho, o programa SOS Vida, a Corrida Manaus em Movimento, as unidades básicas fluviais, a base de endemias flutuante e o Samu fluvial foram outros destaques de Manaus, assim como as Unidades Móveis de Saúde da Mulher. “A cidade tem 11 mil km², o Estado é líder de câncer do colo do útero, precisamos chegar até as mulheres das áreas de vazio assistencial, do mesmo modo que usamos o georreferenciamento para identificar usuários de doentes crônicos que se acompanhados provavelmente não irão agravar suas condições de saúde”. 

Shádia Fraxe dividiu a Mesa Redonda com a diretora administrativa da escola de Saúde Pública do Maranhão, Ana Lúcia Nunes, o secretário estadual de Saúde do Espírito Santo, Tyago Hoffmann, a deputada estadual do Rio Grande do Sul, Stela Farias, e com o delegado do Conselho da Região de Emília-Romana para Cooperação Internacional e Migração, Lucca Rizzo Nervo.  

Ao concluir os trabalhos do dia, Lucca Rizzo disse que é necessário estabelecer colaboração cívica no lugar onde os serviços são prestados. “A cooperação internacional é fundamental para criar os instrumentos de apoio a cidades e comunidades no enfrentamento dos desafios mais ambiciosos”. 

O delegado salientou que não é suficiente que cada um faça o seu trabalho, sendo mais importante que as ações sejam translocais, com o fortalecimento por meio da diversidade. “Demos um passo à frente com esse evento e temos que nos encarregar da defesa dos serviços públicos através da inovação, buscando a igualdade e integralidade da pessoa e das políticas, por meio de uma visão de conjunto”.  

Lucca Rizzo também destacou que a Emília-Romana nasceu na Casa Cervi, onde a programação foi realizada. A Casa é sede do Instituto Fratelli Cervi e abriga auditório, museu e outros espaços dedicados à memória de resistência política da família Cervi. “Nesse contexto, o foco da nossa cooperação pode nos ajudar no que fazemos no território, mas com o olhar voltado para o mapa mundi”, afirmou. 

A presidente do Instituto e ex-senadora italiana Albertina Soliano encerrou a programação com a entrega de uma muda de Amoreira, como representação simbólica da memória da família Cervi a Alcindo Antonio Ferla, coordenador geral da Associação Rede Unidade, que é a promotora do evento, em parceria com a Região Emília-Romana. 

Na parte da manhã desta quinta-feira, foram realizadas exposições no eixo temático da construção de alianças com respeito às singularidades. A reunião de abertura tratou do tema “Cidade, território e rede de cuidado: promovendo espaços públicos próximos e desenvolvendo dispositivos-membrana para políticas públicas de bem viver”, com o objetivo de possíveis trabalhos colaborativos para o crescimento da responsabilidade social e da democracia. Também foram apresentados casos relacionados a práticas inovadoras de governança. 

O 17º Laboratório Ítalo-Brasileiro (e não só) de Formação, Pesquisa e Práticas em Saúde Coletiva segue até essa sexta-feira, 28/2, com atividades concentradas na cidade de Bolonha.

— — —Texto – Andréa Arruda/SemsaFotos –  Divulgação/Semsa

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